CUIABÁ

Rosana Leite Antunes de Barros

O trabalho e elas

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OPINIÃO

Dentre tantas situações que as mulheres precisam enfrentar, no trabalho não tem sido diferente. Se em casa as violências são as que mais acontecem, em outros lugares também são reais.

E onde quer que elas estejam, precisam lutar bravamente contra as diversas violências. O local de trabalho, de tanta permanência, tem sido motivo de grande preocupação. O país vislumbrou e tem presenciado que o absurdo permeia a existência delas. Alguns ‘causos’ parecem mentiras, mas, infelizmente aconteceram e são verídicos.

A cidade de Registro/SP, com toda redundância, registrou um fato que causou clamor nacional. A procuradora-geral do citado município, Gabriela Samadello Monteiro, por ter exercido a sua função em abrir um procedimento contra o também procurador do município, Demétrio Oliveira de Macedo, que havia destratado uma servidora, foi espancada pelo mencionado homem. Quem imaginaria ver aquela cena, uma tentativa de feminicídio, de um colega de trabalho para com outra colega? Quem assistiu ao lamentável vídeo percebe que o agressor não estava com vontade alguma de parar a série de ataques. Ele foi segurado, agrediu as pessoas que tentaram o conter, e parou por não conseguir ir além. O feminicídio não aconteceu por estarem outras pessoas no momento, e, pela forma que a vítima tentou se defender, fica evidente. Todavia, se mostra certa a vontade do autor em cometer um feminicídio contra a vítima.

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O procurador, autor do ato criminoso contra a procuradora, pelas lentes da investigação, não costuma destratar os homens no local de trabalho. Descobriu-se que ele pratica violência apenas contra mulheres. Outros procedimentos de distratar e maltratar mulheres foram instaurados contra ele.

Em distinta situação, na quarta feira dia 29 de junho, foi demitido o presidente da Caixa Econômica Federal, acusado de assédio sexual contra várias mulheres. Segundo algumas funcionárias da empresa pública, vários episódios advieram, dentre eles: toques íntimos não autorizados e convites inadequados e incompatíveis com a relação de trabalho. Algumas funcionárias afirmaram que muitos assédios acontecerem em viagens a trabalho. Uma delas ouviu do homem em uma dessas viagens: “E se o presidente quiser transar com você?”. Em outra viagem a trabalho, disse ele para as suas subordinadas: “Ninguém vai ser de ninguém. Todo mundo nu”. Os relatos são múltiplos, sendo que em uma dessas viagens, o assediador pediu que determinada funcionária tomasse banho e fosse até o quarto dele tratar da carreira dela.  De mais a mais, o ex-presidente praticou assédio moral contra muitas pessoas.

No segundo caso relatado, se cuidava do presidente da Caixa Econômica Federal, que foi obrigado a pedir demissão, pela exposição que viveu. Também se evidenciou que as mulheres foram as mais prejudicadas com os atos delituosos praticados pelo superior hierárquico.

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A reflexão é de extrema necessidade, até para que a sociedade possa compreender que a desigualdade de gênero é assente em qualquer lugar.  Nessas duas situações publicamente externadas, apesar do desempenho das mulheres em alcançar postos de trabalho, não ficaram isentas de passar por agressões criminosas. Angela Davis, na obra “Mulheres, Raça e Classe”, tratou do tema expondo sobre o fim da escravidão: “Os abusos sexuais sofridos rotineiramente durante o período da escravidão não foram interrompidos   pelo advento da emancipação.”

Assim, o problema é muito mais complexo. Não basta que elas alcem postos de trabalho, públicos ou privados, com estudo e esforço necessário. Elas precisam que os direitos humanos das mulheres sejam efetivamente cumpridos. O respeito não pode deixar de ser perseguido todos os dias.

Estar em grande parte dos bancos das escolas e faculdades… Serem aprovadas em concursos públicos…  Garantir a independência financeira de algum modo… Nada as exime de agressões, discriminações e preconceitos. Mudança de compreensão sobre gênero, raça, etnia e classe social certamente é um dos caminhos.

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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OPINIÃO

Crédito para consumo urgente

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À medida que nos aproximamos de mais um período eleitoral, o debate doméstico sobre a saúde econômica das famílias se torna cada dia mais frequente nas casas dos brasileiros.
Afetado pelas consequências da pandemia de Covid-19 e com esforços concentrados em áreas que até então jamais tinha demandado tamanha atenção, o executivo e legislativo federal não conseguiram concentrar as energias no que mais importa para os brasileiros: as reformas tributária e política. Fica aqui essa reflexão para o dia do comerciante, comemorado neste sábado dia 16 de julho.

Com uma inflação de dois dígitos, de 11,89% nos últimos 12 meses e de 5,49% em 2022 (medida IPCA), e mais de 11 milhões de desempregados no país, o poder de compra do cidadão diminui a cada nova pesquisa, situação comprovada a cada ida ao supermercado, onde os brasileiros deixam cada vez mais dinheiro e levam menos produtos.

Em meio a esse contexto econômico, e com a cena política já movimentada, o que se observa é a polarização entre dois principais candidatos à presidência, com soluções antigas para problemas novos. As discussões ocorrem em diferentes ambientes, mas pouco se trabalha em função da solução dos problemas graves enfrentados no país. O toma lá dá cá e a troca de provocações e acusações chamam mais atenção do que a apresentação de propostas para melhorar a vida da população.

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A nossa realidade econômica pode ser melhor se fizermos a lição de casa e pressionarmos pelo avanço das reformas, essenciais para o desenvolvimento do país. Sabemos do nosso potencial, principalmente pelos resultados alcançados no setor que sustenta nossa economia, o agronegócio, mas não podemos deixar de lado o setor que mais emprega no país, o comércio.

Muitas vezes prejudicado pela alta carga tributária, o varejo assim como quase todos os setores também foi afetado pela pandemia. E quando o ganho das famílias vai mal é um dos setores mais afetados. Uma das formas para aumentar e incentivar o consumo é a possibilidade do parcelamento das compras, e que muitas vezes é oferecida pelo crediário interno das redes varejistas ou lojas. E essa modalidade poderia ser melhor aproveitada caso o crédito não estivesse tão escasso e caro.

O crédito ao consumo seria uma forma de incentivar as vendas no comércio, o que provocaria desempenho melhor do setor e por consequência beneficiaria a indústria local. É claro que o crédito ao consumo deve ser feito de forma consciente para que não estimule o endividamento das famílias.

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De acordo com o Banco Central, no Brasil o crédito às pessoas físicas representa apenas 22,1% do PIB. Comparando os nossos patamares atuais de crédito ao consumo, como porcentagem do PIB, com outros países, a exemplo dos EUA, França, Itália, Inglaterra, nota-se que nosso percentual é significativamente baixo, com potencial importante de crescimento.

A concentração é outro problema em relação à oferta de crédito às pessoas físicas. Em 2018, as cinco maiores instituições financeiras (CEF, BB, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander) detinham 80,1% de todo o crédito a pessoas físicas. Existe interesse do BC em promover a desconcentração da oferta de crédito, mas deveria ser um processo acelerado mais em benefício de todos os setores econômicos.

Precisamos estar comprometidos com o futuro e avançarmos em temas estruturantes e estratégicos para o desenvolvimento no longo prazo e assim capitalizar em cima do potencial que possuímos. Ou assumimos nossas responsabilidades na busca de transformações políticas e econômicas ou vamos ficar nessa desagradável discussão dos políticos ruins por muito mais tempo sem resolver problemas graves que afetam a vida do cidadão comum.

Junior Macagnam – é empreendedor, ativista cívico e vice-presidente da CDL e da Fecomércio-MT.

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